Pesquisadores descobriram mutações em um gene relacionado à obesidade, o que possibilitará novos possíveis tratamentos na luta contra esta epidemia global.

A pesquisa sobre as causas genéticas da obesidade, e condições relacionadas, podem ser incrivelmente valiosas para a descoberta de formas de tratamento. Atualmente, existem algumas drogas disponíveis ou sendo testadas, mas saber quais são as mutações específicas que causam a obesidade permite ao cientistas criar drogas também específicas.

O novo estudo, liderado pelo Imperial College de Londres, e publicado no dia 8 de Janeiro de 2018 na revista Nature Genetics, foi realizado com crianças obesas no Paquistão, onde ligações genéticas com a obesidade foram previamente identificadas pela equipe de pesquisadores em 30% dos casos.

Esta relação de genes com obesidade é devida a mutações recessivas que são mais prováveis de ser herdadas e passadas às crianças em uma região como o Paquistão, devido ao alto nível de consanguinidades (relacionamentos inter-familiares) na sua população. Isto porque os genitores que tem grau de parentesco muito próximo são mais propensos a carregar a mesma mutação, assim uma criança pode herdar a mutação tanto do pai, quanto da mãe.

Este novo estudo usou sequenciamentos genômicos e encontrou mutações em um específico gene relacionado à obesidade: o ‘adenilato cyclase 3(ADCY3). Quando as mutações ocorrem no ADCY3, a proteína codificada tem anormalidades e não funciona apropriadamente. Isso leva a um descontrole do apetite, diabetes e até alterações no olfato.

O Professor Philippe Froguel, titular de Medicina Genômica no Imperial College, disse: “Estudos iniciais em ratos que foram criados para não ter o gene ADCY3, descobriram que esses animais eram obesos e também lhes faltava a capacidade de cheirar, conhecida como anosmia. Quando testávamos nossos pacientes, descobrimos que eles também tiveram anosmia, mostrando novamente uma relação com mutações no ADCY3 “.

O gene ADCY3 é conhecido por impactar um sistema que liga o hipotálamo à produção de hormônios que regular uma larga variedade de funções biológicas, incluindo o apetite.

Depois de identificar mutações nos pacientes paquistaneses, os pesquisadores compartilham seus resultados no GeneMatcher, descrito pelo Professor Froguel como uma “agência de relacionamentos da Genética”. Isto levou um outro grupo de cientistas na Holanda a contatar a equipe com os seus próprios achados sobre o ADCY3 em um de seus pacientes com obesidade.

Este novo paciente europeu herdou diferentes mutações no mesmo gene ADCY3 de ambos os genitores (que não eram parentes próximos, como no Paquistão). Assim o gene ADCY3 também não funcionou apropriadamente, levando o paciente à obesidade.

Outras conexões foram feitas com um grupo de cientistas dinamarqueses, que estudam a população Inuit, da Groelândia. Embora não seja tradicionalmente consanguínea (como em casamentos familiares próximos), esta população é pequena, então é provável que a consanguinidade tenha ocorrido.

Esta pesquisa também descobriu uma ligação entre mutações do ADCY3 e obesidade, que está publicada com a pesquisa do Imperial College na Nature Genetics. O Professor Froguel destacou o quanto positiva é esse tipo de colaboração, particularmente por mostrar que a pesquisa e os achados são reproduzíveis.

“Obesidade não é só gula, como se costuma dizer, e eu penso que nós deveríamos ter um olhar positivo ao considerar novos tratamentos que estão se tornando possíveis. Estas tentativas de compreender a obesidade e buscar por uma cura são uma força real no Departamento de Medicina do Imperial College”, disse o professor Froguel.

Explore: New genetic form of obesity and diabetes discovered

Mais informações: Sadia Saeed et al, Loss-of-function mutations in ADCY3 cause monogenic severe obesity, Nature Genetics (2018). DOI: 10.1038/s41588-017-0023-6 

Referência: Nature Genetics   

By: Imperial College London  January 8, 2018

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