O material genético que fica de fora dos processos comuns de sequenciamento em tumores cancerígenos pode trazer informações importantes sobre as razões que levam apenas a alguns pacientes responderem à imunoterapia. Segundo os pesquisadores, é bastante possível que esse “lixo” ofereça melhores respostas e pistas do que o material normalmente sequenciado. O estudo foi realizado por cientistas do Mount Sinai, EUA, e foi publicado no dia 3 de abril de 2018, na revista Cell Reports.

Transcrições de RNA. Foto: Projeto Genoma Humano/EUA

O sequenciamento de um tipo de material genético em tumores cancerígenos, chamado RNA mensageiro, transformou a terapia do câncer personalizada e revelou biomarcadores para detecção precoce. Os avanços nesse campo mudaram a compreensão dos cientistas sobre as diferenças entre tecidos saudáveis e tecidos tumorais.

Até o momento, a expressão genética em tumores foi sempre ordenada pela captura de RNAs mensageiros; no entanto, este material genético representa apenas uma fração das moléculas detectadas. Um tipo diferente de RNA, chamado RNA não-codificante, há muito tempo tem sido considerado como “lixo” e não utilizado nos processos de sequenciamento genético.

Entretanto, recentes avanços na ciência genética mostraram que muitos RNAs não-codificantes podem ter funções críticas para a biologia celular, e que uma certa classe de RNA, conhecida como elementos repetitivos, pode interagir com o sistema imunológico de uma forma importante para que se possam desenvolver novas imunoterapias personalizadas contra o câncer.

Em seu estudo, os pesquisadores usaram um processo chamado sequenciamento total do RNA para identificar vários RNAs não-codificantes, os quais normalmente permaneceriam indetectáveis nos métodos de sequenciamento genético mais comuns. Eles mostraram que vários desses RNAs foram especificamente expressos em tumores que responderam à imunoterapia bloqueadora de ponto de checagem em pacientes com câncer de bexiga, enquanto outros foram associados a tumores que escaparam de serem detectados pelo sistema imunológico.

“Nossas conclusões afirmam que o RNA não-codificante em tumores, particularmente os elementos repetitivos, é sub-quantificado”, disse o autor sênior do estudo, Benjamin Greenbaum, PhD, Professor Assistente de Ciências Oncológicas, Patologia e Medicina (Hematologia e Oncologia Médica), no Instituto de Câncer Tisch na Escola de Medicina Icahn no Monte Sinai. “Nós sentimos que as descobertas críticas vão surgir a partir da análise de toda a amplitude da interação de RNA não-codificante do tumor com o sistema imunológico”.

Um achado específico deste estudo foi que um elemento repetitivo no RNA não-codificante é um melhor preditor da resposta imunoterápica aos inibidores de PDL1 (um tipo de droga utilizada na imunoterapia do câncer) do que as assinaturas imunes convencionais em certos pacientes.

Pesquisadores do Monte Sinai, em parceria com o Laboratório Ting no Massachusetts General Hospital Cancer Center, descobriram que esses RNAs repetidos parecem alterar a resposta imune nos cânceres de cólon e pâncreas.

Estes estudos têm implicações para pesquisas futuras sobre como o RNA não codificante pode ser um novo alvo e como influenciariam a resposta dos pacientes às terapias contra o câncer.

Referência: Cell Reports 

Provided by: The Mount Sinai Hospital 

April 3, 2018

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